quarta-feira, 27 de abril de 2016

#TodoApoioaBrunoePablo

Bruno Bechara

Pablo Lima


Dois jovens professores da UFMG, Pablo Lima (FaE) e Bruno Bechara (EEFFTO), estão sofrendo uma sistemática perseguição política por parte da atual Diretoria da APUBH - Sindicato dos Professores das Universidade Federais de Minas Gerais, Montes Claros e Ouro Branco. Pablo e Bruno são militantes sociais auto organizados no Coletivo de Professores da UFMG. São professores engajados na vida acadêmica e política da Universidade, por uma questão de consciência política, independentes de governos ou da máquina sindical.
Ambos foram expulsos pela Direção deste Sindicato sob a acusação injuriosa de falta grave dada a postura combativa e corajosa dos mesmos diante das irregularidades na condução da Presidência da APUBH na Assembleia Extraordinária realizada no dia 20 de Novembro de 2015, que, de forma cômica e vexatória aos demais colegas docentes, permitiu que pessoas que não eram filiadas ao sindicato, e nem sequer docentes da UFMG, votassem, em flagrante desrespeito ao Estatuto.
A atual diretoria da APUBH envergonha, dessa forma, toda a trajetória de lutas desta entidade, que sempre defendeu os interesses de classe da categoria, assim como a educação pública, gratuita e de qualidade. É uma diretoria que tem verdadeiro horror à discussão política e ao debate de ideias divergentes, e que abre suas assembleias a não filiados. Nós queremos saudar aqui a presença dos não filiados nas assembleias, mas não com direito a voto. Alguns desses não filiados são filiados a outras entidades, e isso não existe em nenhum lugar no mundo. Nenhum clube de futebol, nenhuma escola de samba, nenhuma associação permite que não filiados tenham voto. É o mesmo que alguém queira ser eleito síndico de um edifício e convidar os condôminos do outro edifício para vir votar no seu edifício.
As nossas divergências com essa diretoria são inconciliáveis, pois estão liquidando a APUBH, transformando-a em um instrumento de amaciamento da luta de classes, de apoio acéfalo a um governo que, em mais de uma década, calou o movimento sindical brasileiro e o colocou debaixo de seu braço, apesar dos heroicos exemplos de luta e independência política de alguns setores do sindicalismo. Esta entidade foi descaracterizada nessa última década pela política de conciliação, pela política reformista e rasteira da maioria desta direção.
Companheiros, eles chamam estes dois lutadores de agitadores, mas eles querem mudar esse sindicato. Resistindo a caça às bruxas promovida pela diretoria, eles querem mudar o sindicato pela base, para ele possa voltar a ser uma entidade de luta em prol dos trabalhadores em educação da UFMG.
Aos docentes da UFMG, que viveram mais de uma década sob a hegemonia dos governistas no sindicato, queremos fazer um apelo, um apelo de consciência aos companheiros, aos professores e professoras da UFMG, para que impeçam essa injustiça na próxima assembleia do sindicato, a se realizar no dia 29 de Abril, próxima sexta-feira, às 14hs no Auditório da Escola de Engenharia, Campus Pampulha (os professores da UFMG que ainda não são sindicalizados podem se filiar até o início da assembleia para participar com direito a voto da mesma). Não podemos permitir tamanho abuso de poder e postura antidemocrática na APUBH.
Pelo respeito ao estatuto da APUBH e à liberdade de organização e mobilização dos professores e contra o autoritarismo na condução do Sindicato, contamos com todos e todas na Assembleia de 29/4! Não existem acusações formais aos professores Pablo Lima e Bruno Bechara, e o último recurso de Pablo e Bruno será objeto de apreciação dos professores sindicalizados nesta Assembleia Extraordinária. Recordemos Marx que afirmou na tese 2 (Teses sobre Feuerbach) que “a questão de saber se é preciso conceder ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma questão de teoria, porém uma questão prática. É na prática que o homem deve comprovar a verdade, isto é, a realidade efetiva e a força, o caráter terrestre de seu pensamento.”

Daniel Oliveira
Licenciado em Letras pela UFMG, professor da rede pública de educação básica (BH/MG) e militante da Corrente Sindical Unidade Classista