quarta-feira, 27 de maio de 2015

Tese de doutorado analisa impactos do produtivismo na saúde dos docentes da UFRJ

Tese de doutorado estudou situação dos docentes da UFRJ e encontrou “carreira doente”
Processo de intensificação do trabalho é o grande culpado
Filipe Galvão. Estagiário e Redação
Trabalho é suplício. Etimológico e concreto. Enquanto o sofrimento da palavra (do latim “tripaliu”) vem de um instrumento de tortura romano, o sofrimento prático diz respeito às relações de opressão e dominação. Nem professor escapa. É o que conclui Alzira Guarany em sua tese de doutorado “Trabalho docente, carreira doente” que analisou os impactos na saúde dos docentes da UFRJ.
A tese, defendida na Escola de Serviço Social no dia 9 de dezembro sob a orientação do professor Eduardo Mourão Vasconcelos, analisa o histórico do avanço do capitalismo no campo da educação. Até meados do século passado, a carreira de professor ainda habitava outro espaço na dinâmica do trabalho, sendo considerada uma vocação, e não uma atividade laboral. Um lugar no qual o docente era valorizado por seu tempo de reflexão e análise. Em sua tese, a professora identifica as crises do capitalismo como o motivador que transformou os setores de produção imaterial como educação e saúde em fatias a serem devoradas pela burguesia internacional.
Muita cobrança, pouca saúde
Amorim91Imagem: AmorimA motivação para a pesquisa foi política. Da graduação ao doutorado, toda a formação de Alzira foi pela UFRJ. “Senti que era um momento em que eu deveria devolver alguma coisa para a universidade”, diz. A ideia surgiu em uma aula do então presidente da Adufrj-SSind, Mauro Iasi, professor da própria ESS. “Na aula, eu perguntei do que o movimento organizado dos docentes estava precisando e ele me disse que precisavam conhecer um pouco mais da saúde do professor”, relembra. 
A partir daí, Alzira entrevistou seis professores de três unidades diferentes — a ética da pesquisa garante o anonimato das fontes e dos lugares. E, depois de identificados os agentes desencadeadores de doença na carreira (processos de privatização e mercantilização da educação), a divisão foi feita entre unidades que concordavam, neutras e as que não concordavam com o processo de transfiguração da educação em mercadoria. Assim também foi possível comparar os efeitos (ao fim, iguais, todos estavam doentes) entre os que aceitavam e os que não aceitavam. Foram mais de cem folhas de transcrição de entrevista.
As histórias de vida chocam. Há a professora que trabalhava tanto a ponto de não ter tempo de perceber que já tinha quatro cânceres no corpo. Ou a do infarto que matou o professor que mal se alimentava ou dormia para dar conta do volume de trabalho. Fora depressão, patologias de pele, alteração da taxa de colesterol.
A fragilização da saúde física e mental dos docentes depois dos anos 90 é pura barbárie. “Essa intensificação irracional do ritmo de trabalho não respeita o sofrer e o prazer: é aí que surge a possibilidade do adoecimento”, diz Alzira.
Os elementos que deterioram a saúde dos docentes elencados na tese são: as parcerias público-privadas que não respeitam o ritmo das diferentes áreas de saber; a precarização das condições de trabalho que fazem coexistir na universidade setores de “primeiro e terceiro mundo”; um novo processo de trabalho que exige um profissional polivalente, adequado ao instrumental de novas mídias e ao novo perfil do aluno que se comporta como consumidor; a competição estrutural entre os pares; e os indicadores de produtividade estabelecidos por atores externos ao universo acadêmico. “Alguns elementos que geram o sofrimento já existiam, mas a maioria surge com o novo estilo de gestão da educação”, aponta Alzira. 
Projeto deve seguir
Por enquanto, a reitoria ainda não procurou Alzira para estudar de que maneira a tese pode ajudar a proteger a saúde de seus quadros. A expectativa é que a pró-reitoria de Pessoal (PR-4) convide a doutora para conversar já que a professora Silvia Jardim, que faz parte da pró-reitoria, participou da banca.
Alzira listou três caminhos possíveis e complementares para entender mais a fundo o impacto na saúde dos docentes da UFRJ. Os dois primeiros são promover debates sobre eixos temáticos para sensibilizar a comunidade acadêmica e criar grupos de encontro para os professores vulnerabilizados e deprimidos. O outro é mais ousado. Fazer um estudo epidemiológico quantitativo abordando toda a comunidade docente. Assim seria possível saber quantos são, exatamente, os professores doentes. Os problemas da última proposta são dois: o custo e a urgência. “O tempo de agora é o da denúncia, a situação é seríssima”, concluiu a doutora.

Fonte: http://www.adufrj.org.br/index.php/noticias-destaque/2071-tese-de-doutorado-analisa-impactos-do-produtivismo-na-sa%C3%83%C2%BAde-dos-docentes-da-ufrj.html

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A lição da pátria educadora: que venham os chineses

Os professores das universidades federais entram em greve no próximo dia 28 na maior parte do país. Muitas universidades estaduais públicas também paralisam nesta semana. Professores do ensino fundamental e médio estão de braços cruzados em várias locais do país. Baixos salários, não pagamento de trabalhadores terceirizados, falta de recursos para itens básicos como giz e papel higiênico, entre outros, permeiam o quadro da educação brasileira, mais uma vez atingida pelo ajuste fiscal do governo Dilma, copiado por estados e municípios de todos os partidos com representação no congresso.
Apesar dos problemas com o FIES, o financiamento governamental aos donos das escolas particulares vai bem, obrigado. Que o digam as ações da multinacional Kroton-Anhanguera, em alta na bolsa de valores. Somente ano passado, R$ 13 bilhões foram doados para as escolas particulares pelo governo federal. Ao ponto de uma universidade, em São Bernardo do Campo, ter apenas quatro estudantes pagando mensalidades normalmente. A própria escola orienta aos alunos ingressarem no FIES. Assim os recursos são garantidos.

Esses recursos fazem falta para a educação pública, mas ao invés de ampliar suas instalações, contratar mais professores e funcionários e fortalecer as universidades públicas, os governos, tanto Lula quanto Dilma, preferiram financiar as escolas particulares. É opção de classe, não do ensino básico, médio ou universitário, mas social.
A situação é tão caótica que até a CUT, central sindical chapa branca, está puxando mobilizações para o próximo dia 29, quando completa um mês o ‘Massacre de Curitiba’, promovido pelo governador do PSDB, Beto Richa, contra os professores paranaenses. Fora Richa!
Enquanto isso, 11 senadores, inclusive dois do PT, se reuniram para buscar alternativas aos projetos de lei contra os trabalhadores e a Previdência, encaminhados pela presidente Dilma. Mesmo não atacando o ponto nevrálgico da falta de recursos – o pagamento de mais de um trilhão de reais para os rentistas somente este ano – já é alguma coisa, mas da qual não se pode esperar muito.
Da mesma maneira, não deixa de ser positivo o governo ter aumentado a taxação sobre os lucros dos bancos, ainda que timidamente. A voz das ruas e da esquerda (pequena, ressalte-se) da base da aliança governamental desta vez foi ouvida, apesar de estar muito aquém do necessário.
Nesse caminho, é emblemático o ex-governador do RS, Tarso Genro, propor uma Frente de Esquerda, mas que mantenha uma ‘conciliação recíproca’ com o capital. Alguns dos poucos militantes petistas que resistem a embarcar na aristocracia operária deram ouvidos ao também ex-ministro, o mesmo que se recusou a pagar o piso nacional aos professores do RS quando era governador. Frente de Esquerda com o capital é uma contradição por si só. E ainda há que diga que ele é um intelectual.
Para completar o quadro de um mês de maio tumultuado, o governo e sua base comemoram os investimentos e promessas de investimentos feitos pelo governo e empresários chineses. Saúdam a possível inversão de 50 bilhões de dólares, parte em infraestrutura, justamente aquela que seus quase 12,5 anos de governo se recusou a fazer. Sim, dizem eles, agora vamos avançar, afinal é muito melhor dever para os capitalistas chineses do que para os estadunidenses ou europeus. A dívida pública agradece.
Nesse quadro, a inflação aumentou, os salários continuam arrochados, perdendo cada vez mais a queda de braço com os preços, a Caixa cortou em grande parte o financiamento habitacional, os juros continuam na estratosfera, o desemprego oficial atingiu o maior índice em décadas – o oficial, porque o real deve estar beirando a estratosfera -, a Câmara aprovou construir um shopping center ao custo de R$ 1 bilhão, o PIB deve cair 1,2% este ano e a direita empedernida continua sua campanha pela redução da maioridade penal. Viva o Thor Batista.
Além da educação, a saúde e o desenvolvimento social também foram atingidos pelo ajuste fiscal num total de 54,9% do corte orçamentário, cuja única finalidade é pagar em dia os rentistas. O discurso de que o ajuste é necessário para atrair investimentos estrangeiros não cola. Basta dar uma olhada no balanço de pagamentos, na saída de dólares especulativos e na remessa de lucros.
A pátria educadora da burguesia não tem Educação.

Afonso Costa
Jornalista

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Requerimento de Assembleia dos Docentes da UFMG


Considerando a gravidade da conjuntura atual brasileira, tais como os recentes e expressivos cortes no orçamento da Educação; a possibilidade de contratação de profissionais por Organizações Sociais que implantará a terceirização da atividade-fim da Universidade; a apresentação, pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, do documento preliminar ‘Pátria Educadora: A Qualificação do Ensino Básico como Obra de Construção Nacional”; ficou inegável que está em curso um projeto de desqualificação do Ensino público brasileiro. Ante a esses e a outros temas que atingem diretamente os docentes da UFMG, tais como: as condições de trabalho que vêm sendo degradadas, suas possibilidades de carreira e de remuneração e a as novas regras do Sistema Previdenciário do Servidor Público, faz-se urgente e necessário promover o debate e decidir sobre nossas ações. Apoiados no artigo 16 inciso VI do Estatuto da Apubh, vimos por meio desse abaixo assinado requerer que a Diretoria dessa Entidade convoque, com a máxima urgência, uma Assembleia Geral Presencial da Categoria, tendo como ponto de pauta a discussão e deliberação sobre a agenda de luta nacional das IFES ante a precarização do trabalho docente e o desmantelamento da Educação Pública no país.
Nesse sentido, carx docente filiado ao Apubh, junte-se ao nosso requerimento, assinando essa petição. Caso não seja filiado, colabore divulgando o link.

http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR81871
 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Nota Política da UJC-MG Sobre a Vitória Nas Eleições do DCE da UFMG

Vivemos num contexto de crise econômica onde capitalistas e governos tentam jogar a conta da crise nas costas d@s trabalhador@s e da juventude. As estratégias utilizadas já são conhecidas: retirada de direitos, aumento da exploração, arrocho, corte de verbas em programas sociais; colocando assim a máquina do Estado para atender os interesses dos capitalistas na exata medida em que para a juventude e os trabalhadores só sobrem o porrete.

Neste contexto, estamos presenciando um verdadeiro desmanche da educação pública, além de uma verdadeira ofensiva do capital sobre as universidades federais. Essa ofensiva tem se dado através de uma serie de ações; sejam elas pela atuação das fundações privadas no interior das universidades, ou mesmo, pela privatização do serviço universitário hospitalar.

Nesse cenário, a vitória nas eleições para o DCE da UFMG da chapa Virada representou uma vitória da unidade! Assim foi o resultado das eleições do DCE-UFMG que aconteceu entre os dias 29 e 30 de Abril. Com 2348 (45,52%) dos votos, a Chapa Virada, composta pelos coletivos de esquerda socialista presentes na universidade (UJC/MUP, UJR, UFMG sem Catracas, Isegoria, Vamos a Luta, Voz Ativa, ANEL e Brigadas Populares), além de estudantes independentes, conseguimos superar a situação governista e a oposição de direita. Com o lema “Por um DCE independente do governo e do congresso Nacional, que combata os cortes de verbas na educação e lute por uma universidade pública, gratuita, emancipatória e de qualidade!”, a construção do programa da chapa foi realizada através de rodas temáticas amplas e abertas a participação de tod@s @s estudantes, e algumas das propostas apresentadas foram: 

-Redução dos preços do bandejão
-Construção de creches e fraldários pelo campus
-Aumento das todas as bolsas e expansão da moradia estudantil
-Ônibus intercampi
-Pelo uso do nome social na universidade. 

A Virada que desde sua composição já saiu vitoriosa, configurando uma unidade que há muito não se via no movimento estudantil da UFMG, agora têm o desafio de ir além dos muros da universidade e resgatar a importância histórica que o movimento estudantil sempre teve nas transformações políticas do país. É hora da VIRADA!!

UJC – MG
Ousar lutar, ousar vencer!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Toda solidariedade à luta dos professores do Paraná

O Secretariado Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB) manifesta seu repúdio e indignação pelo massacre de que foram vítimas os professores em greve no Paraná. A Polícia Militar, com ordens expressas do governador tucano, Beto Richa, avançou de maneira bárbara e covarde sobre os milhares de professores que protestavam em frente à Assembleia Estadual do Paraná, ferindo mais de 200 professores, muitos em estado grave.

O aparato repressor utilizou balas de borracha, gás lacrimogêneo, gás de pimenta. cassetetes, cães pit bull, jatos de água e uma parafernália militar, que incluía carros blindados e helicópteros que jogavam bombas sobre os manifestantes, tudo isso para reprimir manifestantes pacíficos que lutavam por seus direitos. As imediações da Assembleia Legislativa do Paraná se transformaram numa verdadeira praça de guerra.
Pela dimensão do número de feridos, essa repressão selvagem possivelmente é maior já registrada em manifestações na história do Brasil e demonstra a fúria do capital e dos governos conservadores contra os trabalhadores que reivindicavam legitimamente os seus direitos. Esse massacre, na verdade, é também uma forma de vingança do governador tucano pela vitória conseguida pelos professores há dois meses numa greve histórica que mobilizou o Estado inteiro.
A nova mobilização ocorreu em função do fato de que a Assembleia Legislativa estava votando mais uma medida contra a categoria, que era a precarização do fundo previdenciário dos funcionários públicos do Estado, de forma a que o governo pudesse realizar o ajuste fiscal.
O governador Beto Richa, do PSDB, com essa brutalidade calculada, vingativa e bárbara e também pelo grande número de vítimas da repressão, muitos com os rostos e feridos pelas balas de borracha, o que significa que a polícia mirou o rosto dos professores, cometeu crime contra os trabalhadores e agora a sociedade paranaense tem todo o direito de exigir: fora esse governador tirano.
Um governador que se vinga de professores dessa forma não tem mais condições morais de continuar à frente do poder executivo no Estado. Perdeu totalmente a credibilidade. Isso se torna mais grave ainda quando se constata que um vídeo divulgado nas redes sociais registra a empolgação da assessoria dentro do Palácio do governo comemorando a repressão contra os trabalhadores.
O Secretariado Nacional do PCB, além de sua solidariedade militante com os companheiros professores em luta por seus direitos, orienta toda sua militância do Paraná, especialmente os professores e dirigentes sindicais, a ampliarem seus esforços no sentido de participar de maneira ainda mais ativa do movimento grevista, e transformar esse primeiro de maio também num dia nacional de repúdio à barbárie e a covardia contra os professores do Paraná.
Nem um passo atrás!
Ampliar a organização da greve e a mobilização popular!
SOMOS TODOS PROFESSORES DO PARANÁ!
Secretariado Nacional do PCB