terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Mãos à obra!


O capitalismo vive hoje uma das mais graves crises de sua história, e isso sem que os seus gestores encontrem uma saída para a retomada do crescimento econômico. Pelo contrário, as medidas que vêm sendo implementadas pelos governos para manter os privilégios do capital são o corte dos gastos públicos, a redução dos salários e pensões, e a retirada de direitos trabalhistas. E como sempre, os efeitos dramáticos são repassados para os trabalhadores, pois o capitalismo se reproduz promovendo novas formas de exploração da força de trabalho e renovando os mecanismos de dominação, além do esgotamento dos recursos naturais através de sua mercantilização predatória.

No Brasil, o projeto do capital se concentra na forma de uma mesma política com dois partidos fundamentais (PT e PSDB), que, mesmo apresentando certas diferenciações, agem como operadores políticos da burguesia nacional e do capital internacional em nosso país. E a chegada do PT ao governo só fez avançar a proposta da realização de um “pacto nacional” de submissão dos trabalhadores à hegemonia burguesa. Esta estratégia ajuda a encobrir o processo avançado de privatização dos serviços públicos e de transferência da responsabilidade do Estado para a esfera privada.


 

Dessa forma, a educação é cada vez mais tratada como um negócio. O maior monopólio de educação do mundo foi formado no Brasil. Os poderes econômico e político também se associam na área educacional. Para constatarmos isso, basta analisarmos a linha de benefícios para a expansão privada do ensino em programas como o ProUni, Fies, Ciência sem Fronteiras, Pronatec e creches conveniadas. O poder desta articulação se materializou com a aprovação dos 10% do PIB para educação, pois embora aparentemente esta medida possa ter contemplado uma importante pauta dos movimentos combativos no que se refere à ampliação do investimento público na educação, esta demanda é readequada aos interesses dos empresários ao aprovar o aumento do investimento público também para a expansão do setor privado. Neste sentido, acreditamos ser importante a articulação nacional em defesa dos 10% do PIB para educação pública já, não para daqui a 10 anos, como propõe o governo, e, sobretudo, a partir das demandas e sob o controle da classe trabalhadora.
Na UFMG, assim como em todas as Universidades Públicas, predomina a lógica privada no ensino, pesquisa e extensão, através das fundações de apoio, cursos pagos e a total adequação dos currículos de ensino e pesquisa às necessidades de mercado. Hoje, aproximadamente 75% das vagas disponíveis para o ensino superior são ofertadas por instituições particulares, quadro que se intensificou nos últimos 12 anos de governos do PT. Mesmo assim, menos de 14% da juventude brasileira consegue ter acesso à universidade. Escolas são fechadas no campo, ainda convivemos com altos índices de analfabetismo, e também na educação básica predomina a lógica do capital de compreender, organizar e lucrar com a educação.

Não temos ilusões de que mudaremos o âmbito universitário e educativo sem modificar os fundamentos que geram desigualdades, exploração e opressão contra nosso povo. Porém, esta é uma luta indispensável para o conjunto das mudanças radicais na sociedade brasileira. Defendemos de forma intransigente o caráter público e estatal da educação contra suas deformações mercantilizantes e privatistas em curso. Na universidade, não defendemos a convivência formal entre ensino, pesquisa e extensão, mas sua efetiva integração. Recusamos a formação profissional rebaixada convivendo com as ilhas de excelência. Defendemos a socialização do saber como condição de execução das diferentes frentes de ação profissional, assim como o fim do vestibular e o acesso universal que garanta as condições de permanência.
Queremos romper com os muros universitários não para levar conhecimento aos “menos favorecidos”, mas para constituir uma unidade real com a classe trabalhadora e suas reais demandas, ou seja, a construção do conhecimento que garanta a reprodução da vida e não os interesses da acumulação capitalista.
Diversas resistências e lutas já estão em curso, as quais vão desde a produção de conhecimento a serviço das grandes necessidades do povo trabalhador e seus movimentos, passando pelas lutas de democratização na produção e acesso à cultura até a luta de estudantes das universidades privadas contra os aumentos rotineiros nas mensalidades. Valorizamos todas estas lutas em curso, e estamos presentes na construção de uma educação vinculada ao poder dos trabalhadores, o Poder Popular, e na rearticulação destas experiências e resistências para uma contra ofensiva.
Por tudo isso, a educação que queremos construir é mais que pública, é popular. Por isso, por sua intencionalidade e sua direção, a luta por uma Universidade Popular e por outro modelo de educação é uma luta para expor os limites da ordem burguesa e apresentar a necessidade de uma transformação profunda nas bases da sociedade.
Se some a esta luta junto aos estudantes, pesquisadores, professores e técnico-administrativos da Universidade Federal de Minas Gerais, e, como disse o poeta, Mãos à obra!
UJC – UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA

Nenhum comentário:

Postar um comentário